ARTE SUL - São Paulo
O mercado no sul retraíra-se e em 1960 os Heilmair mudam-se para São
Paulo -SP. Após semanas transitando por toda a cidade, Lorenz (pai) encontra
uma velha cerâmica no bairro do Brooklin, então periferia.
Com os galpões no meio de um banhado, encara o
desafio, e a Arte Sul inicia uma nova fase.
Respeitado no meio religioso, é prestigiado pela
presença do arcebispo de São Paulo, Dom Agnelo Rossi,
                          ao inaugurar seu estúdio na capital paulista.
                          Entre 1963/64, novas dificuldades, agora com
                          a matéria-prima. Com restrições à importação e o monopólio
                          da CVB, começava a faltar vidro. Lorenz (pai) então, outra vez,
                          toma uma daquelas decisões ousadas: quer fabricar vidros.
                          Obcecado pela idéia, passa
                          noites pesquisando sobre o
assunto. Neste momento ganha uma concorrência
gigantesca para criar e executar os vitrais da nova
Catedral do Rio de Janeiro. Não havia mais tempo a perder.
Levando Broni como assessora técnica, partiu para Alemanha

confiante e indiferente ao fato de que as 3 maiores fábricas de vidro
colorido que visitaria, fossem extremamente fechadas para informações,

                                       cada qual preservando seus segredos à sete chaves.
                                     No entanto, o imponderável aconteceu. As portas das
                                   indústrias abriram-se para o casal, que colher todas
                                     as informações pretendidas, anotando e fotografando
                                       tudo livremente. De volta ao Brasil, abrem a fábrica
                                     e a produção tem início. Os vitrais da Catedral do Rio
                                          de Janeiro, 360 toneladas de vidro, saíram todos

dos fornos do Brooklin, mesmo tendo um incêndio destruído
todas as suas instalações. Nos anos que se seguiram,
centenas de obras foram realizadas com estes vidros
artesanais e toneladas foram estocadas, numa produção
                                        contínua, capaz de alimentar
                                        a produção de vitrais por muito tempo.

                                        Chegaram a exportar o “Butzen” para a Alemanha
                                              e Estados Unidos. A vida da família tornara-se
                                                  muito agitada. Broni comandava a fundição
                                              acumulando funções; mesmo assim tomava o
                                              o cuidado de não alterar os hábitos familiáres,

mantendo os horários das refeições, em que
a presença de todos era sagrada, preservando
com esta tradição, o companheirismo, a
solidariedade e a união da família, nas
conversas em torno da mesa. Não descuidava
tampouco da educação primorosa dos quatro
filhos, Lorenz Johannes; Anna Elizabeth; Robert
Henrique e a caçula Verônica, despertando-lhes
desde cedo o gosto pela música, ouvida e tocada
em casa, nos momentos de estudos e confraternização familiar. Cada um
aprendeu a tocar um instrumento e mesmo não seguindo carreira, esta
educação artística, incorporada no cotidiano pela mãe através da música e
pelo pai através da pintura, desenvolveu-lhes um caráter sensível, íntegro e
aberto, na profissão e na vida, consolidados pelo incentivo e pelo exemplo
inabaláveis dos pais, Broni e Lorenz Heilmair.

 

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